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Na semana passada, o InfraNews mostrou o caso da alteração de projeto dos trechos 4 e 5 do Expresso Tiradentes (Vila Prudente - Cidade Tiradentes) em MetroLeve. A nota (vide postagem abaixo) deu conta das mudanças, principalmente estruturais e conceituais a respeito do novo sistema, o qual, de certa forma, faz alusão à inovadora ideia inicial do Fura-Fila, que nunca ficou pronto e consumiu rios de dinheiro público ao longo de mais de uma década.
Pois bem, para não alongar demais o texto, foi deixado de lado uma ponderação que valia uma nota exclusiva (esta): o fim do rabicho da linha 6.
O fato é o seguinte: tempos atrás, com o início da expansão leste da linha 2-Verde do Metrô, previa-se Oratório como sua estação terminal. A estação da avenida Anhaia Melo seria início de um prolongamento mais a leste com finalidade de se chegar um dia a São Mateus. Na verdade, em tempos iniciais, havia apenas os planos de se chegar a Sacomã e/ou São Caetano do Sul; mas por questões de demanda da região leste da cidade e da possível impossibilidade de a Companhia do Metropolitano de São Paulo atravessar os limites municipais da capital, Oratório foi definida como novo destino futuro da linha.
Mas estudos posteriores indicaram ser melhor modificar o traçado e levar a linha 2 em direção ao Tatuapé, por meio do eixo da avenida Salim Farah Maluf, para permitir integração com a linha 3-Vermelha. Hoje, com novo projeto, a linha 2 será direcionada a Penha e Ticoatira com a mesma proposta de desafogar a já saturada linha "leste-oeste" -- considerada como a mais lotada do mundo. Com isso, o trecho de cerca de três quilômeros e duas estações (Vila Alpina e Oratório) foi realocado em um novo projeto, o da futura linha 6, que ligaria Oratório com a região de Freguesia do Ó. Quando da definição de traçado, decidiu-se separar a linha em partes. A primeira, ligando a região noroeste com o centro (São Joaquim - Linha 1) e outra, de Vila Prudente a Oratório, que já tinha projetos adiantados, ficando a região de Aclimação e Ipiranga para uma ligação futura. A parte leste, separada do resto da linha, ficaria entendida como um 'ramal' separado da Linha 2, com diferenças de bitola (largura do trilho) e alimentação elétrica (catenária X terceiro trilho).
Mas, apesar disso, esse ramal correria junto com o corredor de ônibus Expresso Tiradentes, projetado para ocupar as faixas centrais da avenida Luís Inácio de Anhaia Melo. A sobreposição dos sistemas era vista como falha de concepção de ambos projetos, que provavelmente faria haver divisão dos passageiros no trecho.
A concepção do VLP veio com a missão de proporcionar um "meio termo" entre os dois sistemas, maximizando a velocidade do deslocamento (em comparação com os ônibus), com mais paradas (se comparado com o Metrô - no caso, uma por quilômetro) e promovendo economia para ambas esferas do governo (estadual e municipal), que dividirão os custos no projeto. Nessa economia, a prefeitura cancelou a construção das faixas exclusivas de ônibus no trecho e o governo do estado cancelou o "rabicho" do Metrô.
Sobre o futuro do MetroLeve, não se sabe a respeito da continuação até o Pq.Dom Pedro II, utilizando os viadutos atuais do Expresso Tiradentes (provavelmente não por diferenças construtivas), ou outro caminho. Quanto à futura linha 6, o projeto de expansão deverá possivelmente finalizar as operações em Vila Prudente.
Bom, vejamos o que acontece... a situação real é essa: O "rabicho" da Linha 2 (ou 6) acabou.
Nessa semana, uma notícia bombástica tomou conta das rodas de conversa sobre transporte. "O 'Fura-Fila' está de volta!". Por mais estranho que isso possa parecer, essa é a tendência do novo projeto anunciado para a zona leste da cidade.
O fato é que nessa semana, o prefeito da capital, Gilberto Kassab(DEM) e o governador do estado, José Serra(PSDB), divulgaram à imprensa um acordo pelo qual transforma o projeto do corredor de ônibus Expresso Tiradentes em linha de MetroLeve, nova aposta de transporte de média capacidade do governo atual.
De acordo com o anúncio, o trecho de 22,8km entre Vila Prudente e Cidade Tiradentes será realizado por um VLP - Veículo Leve sobre Pneus (apelidado MetroLeve), a ser administrado pelo Metrô. O trecho restante, já em operação, até o Parque Dom Pedro II, continuaria -- pelo menos por hora -- a ser operado pelos ônibus.
O sistema surpreende pela forma. Um trem com até 90 metros de comprimento -- equivalente a 4 carros (vagões) tradicionais --, circulando a uma velocidade de 40km/hora, em via elevada e com pneus. Nessa descrição, o sistema assemelharía-se bastante ao fatídico projeto 'Fura-Fila', gerado pelo marketing de campanha de Celso Pitta à prefeitura da cidade, em 1996, e nunca completado. Porém, uma diferença substancial deve dar o tom da novidade: o trem, possivelmente, será uma espécie de monotrilho. De acordo com Marcos Kassab, diretor de planejamento do Metrô -- e irmão do prefeito --, o trem leve circulará com uma única linha de pneus em um trilho de concreto. Dessa forma, os veículos serão mais silenciosos e baratos.
A linha deverá ter 22 paradas (cerca de uma por quilômetro) ao longo das avenidas Anhaia Melo, Sapopemba, Ragueb Choffi e Iguatemi, e deverá ser construída em etapas. Na primeira, já para 2010, haverá a ligação de três quilômetros entre Vila Prudente e Oratório. Na segunda, para 2011, até São Mateus, somando 13 estações. E na terceira, até o final de 2012, chegando a Cidade Tiradentes, com outras nove paradas. O custo deverá ficar em R$ 2,3 bilhões, a ser dividido em R$ 1 bi para a prefeitura e R$ 1,3 bi para o Estado.
Esse novo projeto acabou sendo bem aceito por especialistas em transporte e urbanismo. Substituir uma faixa comum de ônibus, que faria os coletivos pararem a cada semáforo e cruzamento; por uma via elevada de VLP, significa avanço quanto ao projeto e melhor adaptação às necessidades locais. Isso, apesar de estudos diversos sugerirem o uso de metrô "pesado" (comum) para essa populosa região da cidade.
Vale lembrar que por ser agora do Metrô, a passagem do VLP custará R$ 2,55, com transferência gratuita em Vila Prudente à linha 2-Verde.
Divulgação
A política fala mais alto
Mesmo sem declarar publicamente, a prefeitura estava em delicada situação financeira para dar continuidade às obras. O anúncio do repasse ao Estado faz com que o custo de construção seja dividido entre as partes. Só que, com isso, o R$ 1bi que ficará a cargo da prefeitura acabará sendo computado ao valor prometido a repasse para obras do Metrô paulistano, que não foi cumprida a tempo na gestão anterior e que deverá ser repetida até 2012. Já o valor que seria destinado ao Expresso Tiradentes deverá ser repassado para obras no corredor São Miguel-Celso Garcia, também na zona leste, nova menina dos olhos de Kassab. Passando a responsabilidade para o Estado, é possível imaginar que a promessa de entregar o Expresso até Cidade Tiradentes em 2012 seja cumprida.
Pois bem, de momento é isso. Um novo MetroLeve nasce nos projetos do governo. Uma espécie de 'Fura-Fila' está de volta! Apesar de algumas diferenças, o conceito inicial retorna. Esperemos que o empenho de sua construção e o resultado final do projeto façam valer a decisão, para o benefício da população.