PUBLICIDADE NA CIDADE

:: Design da discórdia

    Como citado no post anterior, São Paulo ganhará mil novos relógios-termômetros nas ruas, contando com a substituição dos aparelhos atuais. Foi citado também que os relógios estarão aptos a transmitir informações sobre o tempo, qualidade do ar e condições do trânsito, além de ter câmeras de segurança acopladas. Porém, ainda não foi citado que esse projeto corre o risco de não vingar como deveria. Em audiência pública realizada recentemente, empresas interessadas no projeto - principalmente por conta da exploração publicitária dos equipamentos - criticaram o fato de o governo querer que o design dos novos relógios seja proposto pelas próprias interessadas. Entre outras coisas, alega-se que burocraticamente o design deveria ser previamente escolhido em concorrência pública para então haver propostas. O edital, assim, foi adiado por tempo indeterminado.

:: O exemplo é do caju

   A Emurb - Empresa Metropolitana de Urbanização solicitou que os novos equipamentos deveriam ter um novo formato que formalizasse uma identificação com São Paulo. A empresa diz que a proposta é seguir a realização de Natal - RN, onde foram instalados novos relógios de rua na forma do caju, fruta típica da região. O ponto que gerou polêmica foi o "caráter subjetivo" do novo desenho, que seria desenvolvido sem um mínimo parâmetro prévio, o que poria em dúvidas o "peso" (influência) do desenho na definição da ganhadora.

:: A volta dos pontos de ônibus

   Mesmo que previsto nas diretrizes da Lei Cidade Limpa, que determinou apenas o mobiliário urbano como apto a receber publicidade, os pontos de parada de ônibus ficaram excluídos da presença de peças publicitárias. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), alegava que não havia justificativa plausível para liberar as propagandas nesses locais. Agora a história é outra: um edital está sendo preparado para que empresas interessadas na exploração de propaganda em mais de oito mil pontos na cidade possam se candidatar. A justificativa da liberação foi a de que os pontos não estão em condições satisfatórias de manutenção. Com isso, a empresa vencedora deverá cuidar da manutenção desses equipamentos e instalar abrigos em locais hoje inexistentes.

:: O problema é o custo

   Há expectativa de que o interesse por essa licitação seja bastante inferior que a dos relógios de rua, uma vez que a manutenção dos pontos é mais cara. O vandalismo detectado nesses locais é de longo conhecimento de todos e não dificilmente encontra-se abrigos sem cobertura, bancos quebrados, painéis riscados e placas arrancadas. Para isso, assim como para os relógios, estuda-se a obrigatoriedade de instalação de câmeras de segurança em parte dos novos pontos. Esse detalhe encarecedor, com certeza, deixaria o produto bem menos atrativo às empresas.

:: Fretado vetado. Político liberado.

   Essa foi de doer. A prefeitura de São Paulo autorizou que candidatos das próximas eleições fiquem liberados da lei Cidade Limpa e possam estender cartazes e pintar muros de propriedades privadas. A decisão, que em muito contrariou especialistas, foi motivada por acordo político na votação sobre a lei de restrição aos veículos fretados na capital. Para votar a favor da criação da lei, lideranças exigiram que o governo abrisse mão em 2010 da severidade contra os atos publicitários no período eleitoral. Diversos políticos alegaram injustiça na concorrência ao posto de Deputado Federal caso a capital paulista continuasse restringindo a publicidade nas ruas. A desculpa foi de que o governo federal aceita a propaganda, e assim sendo, candidatos de outras cidades teriam maior facilidade de divulgar suas candidaturas, e teriam mais chances de saírem vitoriosos nas urnas.

:: SP aposta na União

   O prefeito da cidade, apesar de liberar a propaganda eleitoral ano que vem, disse aguardar uma decisão do governo Federal. É que corre um projeto no Congresso para que se proíba a pintura de muros durante campanhas eleitorais em todo o território nacional. Caso aprovado, São Paulo teria de acatar a ordem e restringir, por força maior, a publicidade nesses locais, anulando a decisão atual. Uma boa jogada? Talvez, mas é difícil formalizarem proibições desse tipo quase às vésperas da corrida eleitoral. Quem perderia a oportunidade? É de se pensar.

E por enquanto é só. Tchau.



Escrito por Andreh França às 19h20
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RELÓGIOS INTELIGENTES

   A cidade de São Paulo terá novidades no mobiliário urbano. Finalmente a quantidade de relógios-termômetros espalhados pelas principais avenidas da cidade vai aumentar. Em dezembro do ano passado, o InfraNews já tinha divulgado que eram esperados cerca de hum mil novos aparelhos na capital. O número está confirmado, considerando a substituição dos cerca de 330 aparelhos atuais em operação, e a inserção de mais 520 novos relógios, somando 850 pontos. Os 150 relógios restantes deverão ficar em "reserva técnica", a fim de serem usados na abertura de novas vias, ou instalação em novos locais que se fizerem necessários com o passar do tempo. 

    Diferente dos modelos atuais, os novos relógios serão "inteligentes". Esse é o termo pelo qual a Emurb (Empresa Municipal de Urbanização) trata os novos equipamentos, que além de informar exata hora e temperatura ambiente, passarão a transmitir informações sobre qualidade do ar --há de se ponderar que já existem modelos mais recentes que dão essa informação--, nível de congestionamento e alertas sobre enchentes e acidentes na via, preparando o motorista para a busca de um trajeto alternativo. Os novos aparelhos, por serem digitais, eliminarão as ocasiões de pane dos mostradores ou desconfiguração do horário certo.

   Além disso, por imposição da prefeitura, todos os equipamentos serão dotados de câmeras de vídeo, para monitoramento do trânsito e segurança pública. Eles serão integrados às centrais de operação da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), CGE (Centro de Gerenciamento de Emergência), Guarda Civil Metropolitana e Polícia Militar. Sabe-se inclusive que 200 câmeras terão tecnologia de ponta, capaz de registrar imagens até quatro quilômetros de distância, e com "zoom óptico" capaz de distinguir detalhes de uma pessoa, ou mesmo --por incrível que pareça-- ler uma mensagem contida na tela de um aparelho celular.

   Até setembro deverão ser realizadas duas consultas públicas para apresentação do projeto para então lançar o edital de licitação. A empresa deverá ser escolhida até dezembro, fim do contrato atual. A empresa vencedora terá a concessão do sistema de relógios por 16 anos e terá de desembolsar uma pequena fortuna para tal. Para cada relógio haverá um custo mensal de R$ 750 mil reais pagos à prefeitura, mais R$ 90 mil para fabricação e instalação dos equipamentos. Na contrapartida, a empresa poderá explorar a publicidade nos painéis duplos (dois lados) de 2m² cada.

  Desde a promulgação da Lei Cidade Limpa, que reorganizou a propaganda na cidade, os relógios-termômetros se destacaram como única opção de publicidade nas ruas. Eles foram garantidos como parte integrante do visual da cidade, e tiveram prometida ampliação, que começa a acontecer agora. Por esse motivo, espera-se grande interesse de empresas para tornarem-se concessionários desse serviço.

   Por falar em ampliação, uma informação importante. Dentre os mais de quinhentos aparelhos totalmente novos, grande parte deverá ser instalada em vias de regiões mais periféricas, fora do chamado "centro expandido", que concentra a maior parte dos aparelhos atuais. Dotar outras regiões de informações e serviços pertinentes ao dia-dia da cidade: provavelmente a função mais "inteligente" desses novos relógios.

Até mais. Tchau!



Escrito por Andreh França às 13h48
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